03 março 2006

Saúdo todos os que me lerem,
Tirando-lhes o chapéu largo
Quando me vêem à minha porta
Mal a diligência levanta no cimo do outeiro.
Saúdo-os e desejo-lhes sol,
E chuva, quando a chuva é precisa,
E que as suas casas tenham
Ao pé duma janela aberta
Uma cadeira predilecta
Onde se sentem, lendo meus versos.
E ao lerem os meus versos pensem
Que sou qualquer cousa natural -
Por exemplo, a árvore antiga
À sombra da qual quando crianças
Se sentavam com um baque, cansados de brincar,
E limpavam o suor da testa quente
Com a manga do bibe riscado.

Fernando Pessoa/Alberto Caeiro - O Guardador de Rebanhos

3 comentários:

soslayo disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
soslayo disse...

Ora muito bem, não fosse Alberto Caeiro um dos heterónimos de Fernando Pessoa. O meu amigo Platero nos seus passeios entre a literatura. Um abraço.

nina disse...

nunca me cansarei de ler Pessoa!